Ano Internacional das Florestas: Sensibilizar para a Importância dos Ecossistemas Florestais

Ano Internacional das Florestas: Sensibilizar para a Importância dos Ecossistemas Florestais

A Assembleia-Geral das Nações Unidas designou 2011 para o Ano Internacional das Florestas, com o tema “Celebrating Forests for People” ou “Florestas para Todos”.
O objectivo é a promoção da conservação das florestas em todo o mundo, assim como a sensibilização da população para a importância que as florestas desempenham no desenvolvimento sustentável global.
Em Portugal, é a Comissão Nacional da UNESCO que vai dinamizar a comemoração, em articulação com a Secretaria de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, existindo uma Comissão Executiva com diversas entidades da Administração e da sociedade civil onde a Quercus está representada.
A UNESCO efectuou a apresentação oficial do Ano Internacional das Florestas no passado dia 2 de Fevereiro, nas Nações Unidas, em Nova Iorque, em simultâneo em Portugal, no Centro de Ciência Viva para a Floresta, em Proença-a-Nova. Neste dia destacou-se uma apresentação do professor Jorge Paiva sobre biodiversidade florestal e foi também criado o site oficial das comemorações http://www.florestas2011.org.pt, onde existe informação sobre a agenda, com actividades previstas e documentos diversos sobre a importância da floresta.
As Florestas são essenciais ao equilíbrio dos ecossistemas e à vida humana: promovem a manutenção da biodiversidade, libertam oxigénio, armazenam o dióxido de carbono (principal gás com efeito de estufa), moderam as temperaturas, facilitam a infiltração da água no solo (e consequente reabastecimento dos lençóis subterrâneos ou aquíferos), fixam o solo e impedem a erosão. Estes serviços prestados pelo ecossistema constituem uma externalidade positiva da Floresta que deve ser valorizada, para que se possa evitar a sua destruição.
O problema das alterações climáticas confere actualmente à Floresta – devido essencialmente ao sequestro de carbono e produção de oxigénio – uma importância crucial no combate à crise ambiental global.

Em todo o Mundo tem havido uma diminuição acentuada da área ocupada pelas florestas naturais. Segundo a Greenpeace, 80% das florestas primárias (ou virgens) do planeta foram já degradadas ou destruídas.

Em Portugal, quase 40% da área do nosso território é ocupada por florestas, maioritariamente associada a monoculturas de pinheiro-bravo e eucalipto, mas também por montados de sobreiros e azinheiras protegidos, entre outros povoamentos florestais com reduzida expressão. Os carvalhais autóctones apenas ocupam 5% da área florestal e, apesar da sua importância ecológica, não têm qualquer estatuto de protecção, situação que devia ser alterada.

A Floresta representa também um papel relevante ao nível económico e social, sendo que actualmente representa quase 12 por cento das exportações portuguesas, entre as fileiras do eucalipto, do pinho e da cortiça.

Mas também existem diversas ameaças à floresta portuguesa, destacando-se os incêndios, doenças, pragas, expansão de invasoras lenhosas, as más práticas de gestão, o abandono do Mundo Rural e as alterações climáticas.
A desflorestação tem sido constante ao longo dos tempos, devido à reconversão de terrenos para a agricultura, a pastorícia, as monoculturas de eucalipto, à construção de estradas, fábricas, projectos imobiliários e barragens. Actualmente os agrocombustíveis são uma nova ameaça.

Torna-se fundamental melhorar o ordenamento florestal, com a promoção de uma floresta multifuncional, com espécies mais adaptadas ao clima e aos solos, como por exemplo os sobreiros, as azinheiras, os carvalhos, ou o freixo.

A Quercus tem promovido alguns projectos e acções com o objectivo de conservar as nossas florestas autóctones, os quais vão continuar neste Ano Internacional das Florestas, como as plantações do programa Criar Bosques, Conservar a Biodiversidade, o programa de reciclagem de rolhas de cortiça – Green Cork, a Conservação dos Montados e a constituição de uma rede de Micro Reservas Biológicas, onde se destaca o Tejo Internacional e o restauro da floresta no Cabeço Santo; além destas iniciativas, estão a ser desenvolvidos projectos LIFE para a gestão de habitats e Conservação da Natureza.

As iniciativas do Ano Internacional das Florestas são mais uma forma de alertar a sociedade para a necessidade de efectuar uma gestão sustentável que vise a conservação de um ecossistema essencial para o planeta e para o bem-estar da Humanidade.

Domingos Patacho
Quercus

Março de 2011

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Grupo de Voluntários do Núcleo do Porto da Quercus
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