Jardins do Morro, de S. João Baptista e Largo do Curro

(20110110A)
(Publicado a 13 de Janeiro de 2011 e actualizado a 25 de Janeiro de 2011)

No dia 10 de Janeiro de 2011, recebemos 3 denúncias relativas ao abate árvores em três locais distintos de Vila Nova de Gaia:

Jardim do Morro
Jardim de S. João Baptista
Largo do Curro

Jardim do Morro

No caso do Jardim do Morro, foi-nos denunciado o abate de várias árvores (entre elas, Tílias). Tendo sido estas abatidas para a eventual construção de um parque de estacionamento sujeito a pagamento. A denúncia, realçava ainda que as árvores não estão a ser substituídas por outras.

Jardim S. João Baptista e Largo do Curro (em Canelas)
(PDF enviado juntamente com uma das denúncias)

Estes 2 casos foram detectados pelas mesmas pessoas, que alegaram que a Junta de Freguesia de Canelas procedeu ao abate de árvores centenárias, alegando que estavam “doentes”. Tendo sido este parecer dado pelo Parque Biológico de Gaia.

Resposta do Parque Biológico de Gaia (em nome da C.M. de Gaia) – 12 de Janeiro de 2011
(PDFs enviados com a resposta: (01) (02)

Perante tal cenário, o Núcleo do Porto resolveu questionar por email a Câmara Municipal de Gaia sobre este assunto. Foi Dr. Nuno Gomes Oliveira, do Parque Biológico de Gaia que nos respondeu, em nome da Câmara, esclarecendo o respectivo ponto de vista sobre as podas e os abates de árvores em geral, respondendo também a algumas questões mais directas sobre os casos citados em epígrafe.

Em modo de contexto o Dr. Nuno Gomes Oliveira, realçou as más escolhas na plantação de árvores e a contínua má gestão destes espaços verdes (como as podas excessivas).
“(…) ao longo de décadas praticaram-se (e em alguns casos ainda se praticam) por todo o país verdadeiros atentados ao arvoredo urbano, como seja a má escolha das espécies a plantar (…) Entretanto essas árvores (…) encontram-se actualmente em péssimo estado fitossanitário, com extensas feridas provocadas pelas podas, com podridões e desequilíbrios, oferecendo risco para pessoas e bens. (…) No último ano, em Gaia, temos tentado resolver centenas de problemas que se arrastavam há anos, o que nos obrigou a dezenas de abates de árvores, podas de redução de copa, podas para equilíbrio de copa e outras intervenções que o anexo exemplifica e explica.

De seguida confirmou que tinham sido abatidas nestes jardins (Jardim do Morro, Jardim de S. João Baptista, Largo do Curro), explicando que o parecer que referia que as árvores estavam doentes, ou estavam tinha sido emitido pelo Parque Biológico de Gaia.
“Sim, é verdade, nesses como em muitos noutros locais, houve abates sempre que a segurança pública assim o recomendou.”
“Na maioria dos casos – diria que em todos os casos onde houve abates – a situação de risco é visível a olho nu, e a decisão é tomada pelos serviços do Parque Biológico que tem um longo know how  de arboricultura.”

Explicou também que “nos casos em que há suspeita de doença não imediatamente identificável pelos nossos serviços, socorremo-nos da Direcção Regional de Agricultura para a sua identificação; mas neste caso, frequentemente, é mais para evitar a propagação e contaminação de outras árvores, e a morte precoce, do que por razões imediatas de segurança.”

Explicou ainda que haverá replantações, desde que para isso estejam reunidas condições, “é o caso do Largo do Curro, em Canelas”.
Já no caso do Jardim de S. João Baptista, não haverá replantações dado que “havia árvores com demasiada densidade.” “É uma opção de reorganização do espaço, pois a sombra era excessiva dificultando a manutenção dos estratos herbáceo e arbustivo e retirando amenidade ao local.”
No Jardim do Morro só foram abatida algumas Tílias, “que ameaçavam cair sobre a linha de Metro, mas há mais a precisarem de abate urgente e, naturalmente, haverá replantações. Os espaços que são jardins públicos, assim continuarão.” O Dr. Nuno Gomes Oliveira adiantou ainda que “não está prevista a construção de nenhum parque de estacionamento” no lugar das Tílias abatidas.

E por fim, confirmou que a plantação e manutenção das novas árvores está a ser e será acompanhada pelo Parque Biológico de Gaia.“O Parque Biológico tem uma grande experiência nesta área e um conjunto de especialistas, desde agrónomos a biólogos, florestais a paisagistas, e serão eles a conduzir todos estes processos.”

Posição do Núcleo Regional do Porto da Quercus:

Após uma análise das fotografias e documentos que nos foram enviados pelo Parque Biológico de Gaia, a operação de abate das árvores parece-nos justificada (link para comentários adicionais).

No entanto, admitimos que as fotos de cepos de árvores cortadas no Largo Padre Gabriel podem ou não estar relacionadas com as justificações dadas pelo Parque Biológico de Gaia, pelo que a respectiva contestação não fica totalmente clarificada. A simples análise dos cepos é limitada. Efectivamente, muitas vezes há razões que justificam o abate devido à instabilidade da árvore que não têm que ver com podridões ao nível do colo.

Salvaguardamos ainda que, devido ao carácter voluntário do trabalho realizado por este grupo, não nos foi possível fazer uma análise mais profunda e científica, dado que exigiria a deslocação de um perito ao local e a elaboração das respectivas análises.

O Núcleo do Porto realça apenas o que já foi dito anteriormente: a má gestão dos espaços verdes tem que ser reconhecida pelos municípios e resolvida com a maior celeridade. Isto, para não vermos as nossas árvores caírem ou serem abatidas desnecessariamente.

O que se tem vindo a perceber é que existe uma má escolha das espécies a plantar, má gestão de espaços verdes (por ex. a poda excessiva, uso de herbicidas e adubos azurados, …) e falta de respeito pelos mesmos (por ex. o corte das raízes de uma árvore, para a execução de obras numa rua contígua).

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