Largo da Feira Antiga

(20110128A)
(publicado a 31/01/2011 e actualizado a 07/02/2011)

O Grupo Anti-Arboricida recuperou um caso de abates de árvores na Freguesia de Ermesinde, em 2010, que na altura levantou muitas dúvidas.

Foto retirada do site da Campo Aberto

No Largo da Feira Antiga (Largo António da Silva Moreira Canório – Link para o Google Maps) foram abatidas 27 árvores de grande porte.
De acordo com uma notícia do Jornal de Notícias, de 02 de Abril de 2010 (LINK), Luís Ramalho, Presidente da Junta de Freguesia de Ermesinde, contra as indicações da Câmara de Valongo e de um parecer da Faculdade de Engenharia, insistiu em abater 27 exemplares (plátanos e tílias) deste Largo.

Quando questionado tanto pelo Núcleo do Porto da Quercus, como pela Campo Aberto, o Sr. Presidente da Junta limitou-se a reencaminhar para o Comunicado que a Junta havia publicado (LINK), não respondendo a mais nenhuma questão.

Comunicado Requalificação do Largo da Feira Antiga
“Na sequência da intervenção que a Câmara Municipal de Valongo tem projectada para o Largo António Silva Moreira (Largo da Feira Antiga), a Junta de Freguesia de Ermesinde vai proceder à poda das árvores existentes no referido local. Em virtude de algumas dessas árvores se encontrarem com patologias graves que colocavam em causa a integridade física dos residentes e seus imóveis, a Junta de Freguesia entendeu eliminar cerca de duas dezenas de árvores localizadas nos espaços periféricos do Largo.
Esta intervenção visa, essencialmente, resolver alguns dos problemas que afectavam o quotidiano da população ali residente, nomeadamente os estragos provocados pela queda das folhas das árvores, bem como a destruição do arruamento e passeios, provocada pela grande dimensão das raízes.
É intenção da Junta de Freguesia de Ermesinde criar condições para que os moradores daquela zona se sintam mais seguros e, consequentemente, com mais qualidade de vida.
Consciente do contributo que as árvores (sempre que saudáveis) dão para o bem-estar da população, a Junta de Freguesia de Ermesinde assume perante os Ermesindenses o compromisso de replantar o mesmo número de árvores agora abatidas num local que permita a coexistência entre o meio urbano e a natureza.”

Infelizmente, é da opinião de ambas as associações (tal como se pode ver nos comentários da Campo Aberto sobre este caso – LINK) que este Comunicado não só é pouco esclarecedor, como suscita muitas dúvidas. Não justifica devidamente a necessidade do abate das árvores nem tão pouco em que medida tal abate vai ajudar as pessoas que sofrem de doenças.

Questões que na altura ficaram em aberto e sem resposta:
– De que forma é que a queda de folhas estavam a provocar estragos?
– Foram feitos relatórios fitossanitários das árvores que aparentemente estavam doentes? Onde estão esses relatórios? Nunca foram enviados…
– Quem vai efectuar a poda que dizem ser necessária? Técnicos com a formação adequada?
– Onde e que árvores vão ser plantadas em substituição destas?

Abate das Árvores Fotos retiradas deste link

Ainda segundo a Campo Aberto, que analisou melhor este caso, a poda das árvores que ficaram foi feita sem fundamento técnico – “não foi uma poda, foi o decepar das árvores puro e simples (rolagem)”. Podendo, desta forma, contribuir para a morte prematura das árvores e para a queda de ramos, com prejuízo das pessoas e dos seus bens.

Ainda segundo o JN, o Presidente da Junta Luís Ramalho prometeu “plantar 50 árvores na cidade” até ao final de 2010.
Infelizmente, tal não aconteceu, como o próprio confirmou ao Núcleo do Porto da Quercus, via email. Segundo o mesmo, “no ano 2010 não foi possível efectuar a referida plantação.” Estando esta já prevista “no Orçamento de 2011”.

Posição do Núcleo do Porto da Quercus:

Esta intervenção muito nos entristece e indigna pois os serviços ambientais prestados por essas árvores são demasiado importantes. As árvores purificam o ar e a água, absorvem carbono (que tem implicações na saúde pública e nas alterações climáticas), abrandam o vento, fixam o solo e ajudam na absorção da água pelo solo, as árvores fazem sombra, aumentam a humidade do ar e refrescam o ambiente envolvente, são o habitat e refúgio de muitas espécies e são elementos substanciais numa paisagem de interesse. Acresce ainda a escassez de espaços verdes.

As árvores têm uma relação directa e positiva com a qualidade de vida das pessoas. Os automóveis pelo contrário, são factores de insustentabilidade, poluição, alterações climáticas, ruído e ocupação urbana. A aposta em aumentar as condições de estacionamento automóvel através da subtracção de árvores, não é apostar na qualidade de vida das pessoas como se lê no comunicado. Acresce que o Largo António Silva Moreira contém já muitos lugares de estacionamento, tornando difícil simpatizar com o objectivo de os multiplicar.

Para além disso, plantar o mesmo número de árvores noutro local não terá com certeza o mesmo impacte benéfico que ter as árvores naquele local, a purificar e refrescar o ar, a embelezar a paisagem, entre muitos outros serviços essenciais ao bem-estar.
Relembramos também que há muitas espécies de árvores e que, para cada situação específica, é possível escolher uma árvore com a dimensão adequada, com folhas caducas ou perenes, propensa ou não a transmitir alergias, entre outros factores que servem muitas vezes de argumento para as abater.

Por fim, o Núcleo do Porto lamenta o facto de as 50 árvores não terem sido plantadas em 2010, conforme prometido por Luís Ramalho, e compromete-se a confirmar a plantação das mesmas, ao longo de 2011. Esperemos que não seja mais uma promessa…

Links:

– Comunicado da Junta de Freguesia de Ermesinde
– Notícia do JN
– Intervenção da Campo Aberto
– Notícia no Jornal A Voz de Ermesinde

Outros:

1. Texto retirado de o Jornal A Voz de Ermesinde

Título: “REUNIÃO DA CÂMARA MUNICIPAL DE VALONGO”
de Miguel Barros

“(…)
Também de ordem ambiental saltou para cima da mesa – por intermédio dos eleitos da Coragem de Mudar, desta feita através de Pedro Panzina – a velha questão das árvores da antiga feira de Ermesinde. O vereador independente informaria então que 22 árvores haviam sido abatidas no referido local, sem que o assunto, como havia ficado acordado na primeira reunião de Câmara do presente ano, tivesse sido levado à discussão em sessão pública da autarquia. Panzina questionaria então se a Câmara havia tido conhecimento deste abate e caso o tivesse quem havia autorizado tal acto. Em resposta Fernando Melo informaria que na sequência de um parecer técnico emitido pela autarquia apenas sete árvores do referido local necessitavam de ser abatidas por motivos de segurança, acrescentando que só mais tarde a edilidade teve conhecimento do abatimento das 22 árvores (*), endereçando a responsabilidade desse acto para a Junta de Freguesia de Ermesinde (JFE), a entidade proprietária do espaço. Aliás, a complementar a resposta do edil valonguense, Arnaldo Soares frisaria que a JFE assumia a total responsabilidade pelo abate das 22 árvores conforme havia comunicado à Câmara, pelo que na sequência desta informação prestada pelo vereador do PSD, Panzina proporia então um voto de censura à entidade presidida por Luís Ramalho.
Já dentro do período da Ordem de Trabalho o vereador independente voltaria a usar da palavra para criticar a proposta de Regulamento dos Serviços Municipais de Protecção Civil, apresentando um elevado número de incorrecções, quer de ordem gramatical quer de ordem jurídica, que o documento continha. Não conseguindo dar à volta a Panzina, mesmo admitindo que existiam alguns erros alusivos a leis de bases mas que os mesmos não impediriam o documento de ali ser votado naquele momento, João Paulo Baltazar não teve outro remédio que retirar a dita proposta da Ordem de Trabalhos e levá-la novamente para análise e votação posterior na próxima reunião.

(*) AVE: Na verdade seriam 27 as árvores abatidas.”

2. Texto retirado de o Jornal A Voz de Ermesinde

Título: CARTAS AO DIRECTOR – Abate de dezenas de árvores

“Carta também enviada ao Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Valongo
Somos um grupo de cidadãos com naturalidade e residência neste Concelho que, desta forma vimos cumprir o nosso dever de cidadania participativa.
Assim foi com incredulidade que soubemos que, das obras a decorrer na antiga feira de Ermesinde, conta-se o abate de dezenas de árvores que cremos serem centenárias e que fazem parte dos muito poucos espaços verdes, de lazer/sombra existentes nesta área da cidade. Sendo assim, neste pequeno ‘pulmão verde’ que é a antiga feira, serão beneficiados os automobilistas com mais espaço para o estacionamento dos seus carros. Pensamos que, em vez de destruírem este património ambiental, fizesse parte dos projectos da Autarquia uma revitalização do mesmo, que visasse o bem-estar da gente da nossa cidade, mas infelizmente os autarcas mudam e a confiança neles depositada morre nos primeiros dias de mandatos. Provavelmente, aquele espaço ficará mais rico ambientalmente com uma dezena de carros estacionados movidos a gasolina e libertando gases poluentes para a atmosfera.
Façam-se mais cimeiras em Copenhaga, que o agir globalmente em certos casos não tem repercussões nenhumas localmente.
Agradecendo a atenção dispensada.

Ermesinde 6 de Janeiro de 2010
Com indignação,
Fernanda Carvalho, Eugénia Carvalho, Jorge Ramalho, Marta Ferreira,
Maria Alves, Elisabete Magalhães, Carlos Magalhães

PS:
Uma árvore é um amigo,/ Que devemos bem tratar,
Um amigo de verdade, /Tal e qual a amizade que devemos
Cultivar,
(cantam as crianças no dia da árvore)”

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