Podas de rolagem

Frequentemente ainda se podem ver as denominadas podas de rolagem, ou seja cortes de ramos de grande diâmetro, deixando apenas alguns cotos, ou pernadas estruturais muito reduzidas e em alguns casos só mesmo o tronco, abaixo da copa.

Ao contrário do que alguns pensam, as árvores severamente podadas ficam mais perigosas, desenvolvem, mais ramos e mais folhagem

“Nenhuma máquina se auto equilibrará mediante a eliminação de energia; efectuar uma poda de rolagem é o mesmo que retirar o peso da parte em elevação de um balancé; tal atitude nunca mais equilibrará o balancé” (Alex L. Shigo, Arboricultura Moderna)

Uma árvore rolada é uma árvore desfigurada, enfraquecida, em risco de queda, que perdeu todas as características da espécie, e que perde valor patrimonial.

Se uma árvore precisa de uma intervenção severa então pode ser que esteja na altura de pensar na sua substituição.

Quando se fazem rolagens, as raízes que recebem os nutrientes das folhas começam a enfraquecer, tornando mais fácil a instalações de agentes que provocam podridões, que causam grande quantidade de doenças e, em algumas das situações, são comuns e visíveis fungos – carpóforos – na base do troncos.

Razões para não rolar as árvores

  • CHOQUE INICIAL – A copa das árvores funciona como um todo. Embora, no estado adulto, os seus ramos se autonomizem, eles contribuem para que a árvore rentabilize ao máximo todas as suas capacidades. Assim, os ramos exteriores funcionam como um escudo aos mais internos, evitando queimaduras solares. Se, subitamente, se alterar este equilíbrio, e todos os ramos ficarem expostos às condições climatéricas de forma igual, a árvore fica sem defesas.
  • ASPECTO DEFORMADO Uma árvore rolada é uma figura desfigurada. Mesmo que volte a repor o volume de copa inicial, ela nunca mais voltará a ter a mesma beleza e naturalidade características da espécie. A árvore ficará desvalorizada, perdendo o seu valor patrimonial.

  • NOVO CRESCIMENTO MUITO RÁPIDO Após uma operação traumática como é a rolagem, as árvores têm tendência a repor a copa inicial, pelo que a sua rebentação será intensa e em poucos anos retomará o volume que tinha e de uma forma desorganizada e muito mais densa, não resolvendo, assim, o motivo porque geralmente se recorre a esta supressão da copa.

  • FALTA DE ALIMENTO Uma poda bem feita, não remove mais do que 1/3 a ½ da copa da árvore, o que não interfere muito com a capacidade da árvore continuar a alimentar-se a si própria. A rolagem remove a copa na totalidade, reduzindo o equilíbrio copa/sistema radicular, levando a que a árvore, temporariamente, perca a capacidade de se auto-alimentar.

  • PRAGAS E DOENÇAS As pernadas de uma árvore rolada têm dificuldade em formar calo de cicatrização, não só pelo seu grande diâmetro, como também por não se localizarem na zona onde a árvore desenvolve os seus pontos de defesa naturais. Os cortes nestas condições são muito vulneráveis a ataques de insectos e fungos que podem causar podridões.

  • CUSTOS Aparentemente parece ser mais económico recorrer-se a uma rolagem do que utilizar os princípios correctos de poda e corte. No entanto, esta economia é de curto prazo, pois, por um lado a árvore perde qusae por completo o seu valor, por outro lado está-se a onerar as futuras manutenções para prevenir uma decrepitude precoce ou a instabilidade mecânica dos rebentos ormados após os cortes.

  • RAMOS NOVOS DE GRANDE FRAGILIDADE MECÂNICA Os rebentos formados nos bordos das zonas de corte, não têm uma inserção normal no ramo. Se se desenvolverem podridões junto ás zonas de corte, esta ligação fica ainda mais fraca, tornando estes rebentos mecanicamente fracos e criando situações de perigo.

  • MORTE DA ÁRVORE Nem todas as espécies são resitentes a este tipo de supressão de copa. Em algumas, esta solução leva a uma morte rápida com custos acrescidos para sua remoção e substituição.

Alternativas à rolagem

  • Começar por plantar a árvore certa no sítio certo, ou seja, de tamanho adequado, para que no estado adulto, não colida com os elementos que a envolvem.

  • Plantar árvores saudáveis e com formação adequada ao local a que se destinam.

  • Podar segundo os princípios de corte.

  • Podar correcta e regularmente. Uma poda ligeira de limpeza ou aclaramento de três em três, ou cinco em cinco anos, será suficiente para manter a árvore saudável.

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